sexta-feira, 10 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nadja - parte 5

previously on tears of blood...

A noite o encontrou em casa devaneando entre o sono e a vigília, sobressaltado, percebe dois copos de vinho servidos à mesa. E no sofá a sua frente, ela.

“Estava me procurando?” Disse, levando um dos copos à boca.

Lucas, assustado, tentou levantar e foi traído por suas pernas, como na primeira vez que a viu. Sentia-se tonto e fraco, não lembrava como havia chegado a seu apartamento. Lembrou de Paulo, de comprar o vinho que agora estava depositado nas taças a sua frente, o resto estava obscurecido pelo entorpecimento que tomava seu corpo. Então, pela primeira vez olhou para ela percebendo o tom alvo de sua pele contrastando com os cabelos e olhos negros. 


O sorriso sensual de Nadja o perturbava,

“Achei que não acordaria mais, já tomei duas taças do seu vinho.”

 “Meu vinho? Sim, comprei vinho.”

 “Você deve ter muitas perguntas, Lucas.”

“Perguntas, sim, creio que sim.” Lucas apresentava dificuldades para pensar, se achava inebriado pela presença da morena. Não entendia o seu sorriso, era mais que sensual, era quase irônico.

 “Por que você sorri assim?” Apenas um sorriso como resposta enquanto levava mais uma vez o copo aos lábios. Ele então toma seu copo nas mãos e sorve um longo gole de vinho. Sua mão treme um pouco, continua tonto, ela sorri.

“Algum problema?”

“Estou tonto.”

 “Estranho.” Falou Nadja, com um sorriso delicioso nos lábios. Lucas suava frio, passou a mão no rosto e na testa para secar o suor que lhe incomodava. Ela sorri novamente e toma um longo gole de seu copo, uma gota sobra em seus lábios que ela captura com a língua deixando aparecer o canino levemente maior que o normal. 


Naquele instante seus olhos percorrem rapidamente dos lábios ao dente ao copo e a gota em sua língua, muito densa, compreendeu e colocou a mão no pescoço. Ele trouxe a mão úmida aos olhos, sangue.

“Muito bom mesmo o seu vinho.”

“Eu vou morrer? Você vai me matar?”

“Vai começar o drama? Você sabia do que se tratava e me chamou aqui.”

“Não quero morrer”

“Mas quer vir comigo, certo? Quer uma nova vida sem deixar a anterior de lado, vocês são interessantes”.

“Me transforma em um de vocês?”

“Porque eu faria isso? Seu vinho não é tão bom assim.”

Lucas tenta levantar, mas a tontura o leva a perder os sentidos e cair sobre a mesa a sua frente. Nadja sorri e se debruça sobre o pescoço de Lucas repetindo o que fizera antes.


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Nadja parte 4

O amanhecer demorou a chegar, as palavras eram poucas, a amizade de anos era o que lhes bastava agora. “Café?” “Sim, por favor.” “Açúcar?” “Claro que não.” “Tu sabe como vampiro faz chá?” E Lucas caiu na gargalhada, Paulo tentava aquela piada há anos sem sucesso e agora lhe arrancara risadas convulsivas. O contraste entre a caneca com seis colheres de açúcar e o puro de Lucas refletia também nos seus semblantes, Paulo, sempre o lacônico, agora fazia graça para aliviar a situação enquanto Lucas trazia tempestades em seus olhos, destoando do homem que brincava com a fratura em suas costelas ano passado. “Não sei o que pensar, não quero te meter em problemas.” “Os ruídos de ontem a noite, acho que não te diziam respeito.” “Como assim?” “Todos temos fantasmas.” Foi a resposta de Paulo assumindo a expressão taciturna que o caracterizava, trazendo um pouco de alívio ao amigo que já estava ficando consternado com as atitudes de Paulo. “De qualquer forma, preciso ir. Obrigado pela noite tranqüila.” Falou Lucas com um sorriso.

Seus sentidos estavam à flor da pele, sentia o perfume de tudo a sua volta, o pão da esquina, gasolina, flores que invariavelmente tornavam seus pensamentos a ela, o aperto no estomago e o turbilhão de vozes desconexas rodava em sua cabeça, seguiam consigo. “Preciso falar com ela, hoje.” Pensava, enquanto deixava de lado o prato de comida que insistia em tentar, passou no supermercado para comprar vinho, imaginou ser estranhamente adequado à situação.

A noite o encontrou em casa devaneando entre o sono e a vigília, sobressaltado, percebe dois copos de vinho servidos à mesa. E no sofá a sua frente, ela.

“Estava me procurando?” Disse, levando um dos copos à boca.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Nadja reloaded (parte 3)

O telefonema o deixou apreensivo, algum tempo que não falava com o amigo, entretanto poderiam ter se passado anos e ainda assim perceberia a aflição e ansiedade naquela voz.

"O que poderia ter lhe deixado assim? Uma mulher? De novo?" pensava Paulo. Paulo - o amigo de todas as horas - ouviu atentamente o que lhe era contato sem duvidar de nada, mas procurando não demonstrar a preocupação que lhe afligia. Entretanto, essa era difícil de esconder. Já ouvira o amigo falar assim antes, em outros tempos, entre o medo e a curiosidade e isso não lhe agradava. Preferia-o realmente assustado, essa curiosidade realmente o preocupava.

Saíram para um café, falar dos velhos tempos de faculdade e tudo mais. “Bons tempos”, pensava Paulo, “sem vampiros”. A noite se aproximava e ele pretendia manter o amigo consigo, pelo menos por algumas horas. Convidou-o para dormir em sua casa e Lucas aceitou prontamente para aumentar a estranheza do amigo.

“É grave”, pensou.

Noite, caminham de volta para a casa de Paulo, “nada estranho até agora” pensava. Seu apartamento de um quarto, no meio do prédio, não tinha janelas para a rua nem sacadas, a janela do quarto era voltada às paredes internas do prédio, mas ele não tinha certeza que a vampira não teria como entrar, não estava tão seguro, pois suas certezas rapidamente o abandonavam, em primeiro lugar, não acreditava em vampiros e, em segundo lugar, se acreditasse, eles não poderiam entrar em sua casa sem serem convidados. Pensou em perguntar ao amigo se o alho continuava funcionando sem saber se era uma brincadeira de mau gosto ou uma preocupação real. Paulo procurava disfarçar a apreensão, entretanto, essa fora percebida pelo amigo. “Eu sei o que vi” disse ele. “Sei que mais cedo ou mais tarde ela vai voltar, e não sei se estou com medo ou esperando por isso”.

À noite, após algumas cervejas, Lucas montou seu colchão no quarto de Paulo e caiu no sono, sentiu-se seguro pela primeira vez em dias. Entretanto, acordou receoso durante a noite, ouvira um ruído estranho vindo das paredes, tentou negar e desconsiderar o ruído culpando as cervejas por ele. Esboçou um sorriso para si quando aquilo que menos esperava aconteceu. “Que barulho é esse cara?” sussurrou Paulo. Levantaram imediatamente buscando a origem do som colando os ouvidos as paredes. Ao som cada vez mais próximo de paredes arranhadas se somou o ruído de uma respiração, parecia imediatamente ao lado de fora do prédio, Paulo arriscou olhar pela janela sem poder ver nada, estava abrindo o vidro quando Lucas segurou sua mão sem dizer nada, olhou-o nos olhos e este julgou melhor deixar a janela assim, por longos minutos ouviram os ruídos que começaram a se afastar. “Vampiros respiram?” perguntou Lucas. 

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Nadja Reloaded ( parte 2)

Era isso que martelava sua mente desde que a mulher lhe pediu o convite, sabia que este martelar significava alguma coisa embora não acreditasse em metáforas. E agora lá estava ele parado no marco da porta de sua sacada sem coragem de sair para apagar a luz. 

“Três passos para ir e três para voltar, não mais que isso. E não deve ser tão ruim assim ser atacado por uma mulher daquelas” pensava sorrindo com falso desdém. A luz está cara para deixar uma lâmpada ligada a noite toda. Sentia-se ridículo olhando ao redor, além do mais ele se perguntava se existia tal criatura que a um convite a impedisse de entrar na casa. O primeiro passo para a rua foi seguido de um calafrio maior que o de antes, o que o fez recuar de súbito.

 “De manhã apago” pensou, “sempre falei que tinha bons instintos, é hora de provar que acredito neles” fechou as janelas e deixou um bilhete para si mesmo lembrando de apagar a luz antes de sair para não mais passar por essa situação ridícula na noite seguinte. Repousou a cabeça no travesseiro de costas para as janelas, em poucos segundos resolveu virar para a janela, achava desde criança mais seguro se olhasse para as portas do que ficando de costas. “Chega de beber” foi à última coisa que passou pela sua cabeça antes dos sonhos de sempre tomarem seu lugar.


 Acordou suado, com o lençol enrolado em seu pescoço talvez em uma forma esdrúxula de protegê-lo do que estaria por vir. “Vampiros”, pensou com um sorriso, “é incrível como de dia os medos da noite se esvaem e parecem ridículos” abriu a janela para desligar a luz e a encontrou apagada, foi até o interruptor ainda pensando que aquela teria queimado e acionou o interruptor, não estava.

O dia seguinte, turvo, sonho, vultos, luz demais. Só à noite lhe importava. Ao anoitecer já caminhava pela rua deserta, o bar, fechado, vagou por algum tempo, sem certeza do que pretendia. “Nadja”, um sussurro quase dentro de sua cabeça. Virou-se de súbito e as ruas, vazias. Tornou a virar e observou um vulto desaparecendo na esquina, um vulto familiar, familiar como o frio que lhe percorreu as costas. Ela agora possuía um nome. Ele, cada vez menos.


 Voltou para casa cedo, um banho para relaxar, o espelho lhe mostrou pálido e cansado, o chuveiro quente e as noites frias não estavam ajudando. Na sacada, a luz acesa. Respirou fundo, “três passos”, pensou. “Agora ou nunca” e dirigiu-se ao interruptor, apagou a luz e antes de virar já sabia o que lhe esperava. Virou-se em direção ao quarto, Nadja. Ela sorria. Sentimentos e sensações passavam por sua cabeça, medo, dor, angústia, culpa, mas o que mais lhe estranhava era seu sentimento de alívio. Alívio pelo inevitável, o encontro inevitável. Estranhamente, sem dizer palavra, ela deu um passo para o lado e ele jogou-se para o quarto – “não a convidei” – pensou. Ainda sorrindo ela fitando seus olhos e, sem palavras, pede para ser convidada. Ante a hesitação dele, Nadja ainda sorrindo anda dois passos para dentro do quarto. Um turbilhão toma seu corpo e o arremessa para seu sonho.


 A voz suave, sussurro, “você achou que teria força suficiente para me manter fora do quarto? Não basta não me convidar, você precisa não querer que eu entre”.

Suava ao acordar, tateou seu pescoço, examinou tudo que pôde do seu corpo estranhamente dolorido, como se tivesse tido uma noite difícil, “uma noite difícil, sim, foi isso”. Tentou levantar e suas pernas não lhe obedeciam, uma onda de desespero tomou-lhe de súbito, imagens formavam-se atrás de seus olhos, o sal em seus lábios remetia as horas sem lembrança da noite anterior. “Ela precisava ser convidada, isto não está certo” repetia ele consigo mesmo. Por fim conseguiu levantar-se se dirigindo ao banheiro, espelho, “estarei lívido? Um morto-vivo?” a mesma pessoa que dia após dia lhe espiava do outro lado do espelho ainda estava lá, incólume.
Perto do meio-dia resolveu que deveria enfrentar as horas de luz que ainda lhe restavam, não sabia mais quem era, o quanto estava perturbado. Sabia que agora carregava um fardo, realidade ou delírio, não sabia o que era pior, esquizofrenia ou vampiros. Desejava não estar louco, entretanto para aceitar isso uma vampira lhe visitaria todas as noites.


“Sonho, um sonho muito real, mas um sonho. Acontece toda hora, pessoas sonham, acreditam que tem visões, mas apenas sonham.” Fome, de comida, de certa forma isso o tranqüilizava, não sentia aversão ao bife com fritas ou a salada de tomates que almoçava, a carne bem passada de sempre ainda o agradava, a imagem do sangue gotejando do bife não lhe atraía, ainda não era um vampiro. De qualquer forma precisava contar para alguém, ao menos tinha uma boa história.





quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nadja - reloaded (parte 1)

A música das risadas e o tilintar das garrafas em noites mal dormidas combinavam com o esmalte descascado segurando cigarros e copos de cerveja, os saltos que rasgavam o silêncio das calçadas, agora inaudíveis entre o arrastar de cadeiras e a televisão ao fundo. Mais uma noite em busca do que não reconhecia em si mesmo e esta chegava ao fim deixando-o novamente no início.
Entretanto, algo havia mudado, a música diminuiu com a luz e o tempo se expandiu quando ela entrou, não pôde ver seu rosto, algum brilho nos olhos escuros e nos lábios vermelhos o resto, sombra. Flutuava pelo bar parecendo conhecer seus caminhos embora nitidamente não pertencesse ao local. Em outro momento seria divertido para ele ouvir o movimento das cadeiras e dos pescoços naquela direção, mas sua atenção se encontrava nos movimentos sutis dela. Perdido, sua busca terminara.


Tentou levantar e não obteve resposta de suas pernas, lhe traíram, ela encontrou alguém, uma troca de olhares bastou para a devoção eterna, um rabisco em um guardanapo um endereço ou telefone, envolveu-o em seus braços colocando os lábios em seus ouvidos, sussurrando de olhos fechados, abertos agora. Perdido. O toque do garçom as suas costas o trouxe de volta à mesa com o copo de cerveja quente entre seus dedos, avisava que já estavam fechando. De pouco lhe adiantava saber as horas, já era tarde.
Chegou a sua casa, alguma dificuldade de abrir a porta, mais que a usual, deixou o banho para a manhã seguinte e despencou na cama, fechou os olhos, mas continuava a enxergar os que lhe fitavam e assim adormeceu.

Fim de noite difícil e ao acordar perto do meio-dia sentia-se mais cansado que nunca – velho demais – pensou.

“Férias na cidade são complicadas” murmurou, sair para almoçar era sua prioridade mais por costume que pela fome que não sentia. Costumava descer os seis lances de escada que separavam seu apartamento no terceiro andar do térreo, mas não naquele dia, a espera do elevador lhe parecia mais confortável, o espelho devolveu o olhar pálido que lhe lançara “olheiras como essas, ainda bem que estou de férias” murmurou - Os primeiros passos na calçada fora do prédio lhe devolveram o equilíbrio, tudo parecia bem agora. Almoçou como de costume em um restaurante próximo, fechou os olhos por um instante e pode ver o rosto da mulher do dia anterior, sentada em sua janela, pedindo a permissão para entrar que ele insistia em não dar, quase como uma brincadeira.


Sem deixar de sorrir ela cai de costas para a rua, quando pensou em ir à janela uma sirene o trouxe de volta a realidade.

 Os dias seguintes se sucediam rapidamente, voláteis, perturbados. Na sexta feira voltou ao bar para procurar a mulher que povoava seus sonhos com desejos. Duas cervejas depois e já pensava em dormir, quando súbito, o tempo parou, conhecia sensação, seus olhos dirigiram-se para a porta a tempo de ver o vulto de uma garota, não era a mesma, outro cabelo, outras roupas e quando ela voltou-se para seu lado os olhos lhe encontraram; os olhos que não conseguia esquecer e, desta vez, vieram com um sorriso. Tentou caminhar até lá e suas pernas novamente lhe abandonaram, não era preciso, ela vinha na sua direção. Desviou os olhos na medida do possível, não era. 


Quanto mais próxima mais lentamente o tempo passava, chegou perto de seu ouvido e murmurou “tudo que tens que fazer é me convidar para entrar...” novamente seu mundo entrou em colapso e o copo de cerveja quente o acordou ao tocar em seus lábios. Ainda não era madrugada, o bar estava em funcionamento normal, cheio. Procurou por todos os lados, mas já fora embora, provavelmente acompanhada. “Que ela quis dizer com aquilo?” pensou. Resolveu caminhar até em casa procurando entender o que acontecera, o movimento das ruas estava normal, alguns bêbados, alguma correria, carros, motos, luz, muita luz. E a voz que não saía de sua cabeça parecia ficar cada vez mais clara. “Não fazia sentido, para que convida-la? Por que precisaria de convite e porque eu não convidaria?” perguntava-se. Chegou em casa a pé, pegou o elevador e dirigiu-se ate seu apartamento. Entrou e abriu as janelas, precisava ar puro. Sentou em uma cadeira na sacada, fechou os olhos e pensou em adormecer quando um calafrio percorreu sua espinha quando lembrou uma conversa de anos antes e voltou correndo para dentro de sua casa, parecia mais seguro lá. Um amigo lhe dissera certa vez “se procura passarinhos deve procurar de dia, à noite só andam os morcegos, nunca convide alguém que você só encontre a noite para entrar em sua casa, eles estão por aí”. 





segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

William

BRRRRRRRRRRR  BRRRRRRRRRRRRRRRRR BRRRRRRRRRRRRR

 

- Ann Alô?

­− ....

− Alo??

− Onde está Jacob?

− Quem está falando?

− Onde ele está?

− Ele ... sofreu um acidente.

− quem é você?

− Dorothy, e você?


− William. O que aconteceu?

− Você não acreditaria

− Minha filha, você não faz idéia das coisas que eu acreditaria.

− Ele parecia estar caçando, então, aquela coisa veio para cima dele e...

− Você viu o Licântropo?

− Não, o que eu vi era um lobisomem mesmo.

− Hmm, bem, você o viu então? E ele viu você?

− Sim né, ficou me encarando e fungando e depois foi embora.

− Ele não matou você?

− Errr, Não?

− Estranho, deveria ter matado você.

− Estranho né? Não ter me matado, quer dizer, um lobisomem arranca a cabeça de alguém e isso é normal, não ter me matado é que é estranho. Escuta senhor, vou desligar, só peguei o carro dele porque achei que não precisaria mais mas se o senhor quiser eu largo em algum lugar...

− Você está com o carro de um caçador??

− Estou?

− Viva??

− Vem cá, que você tem contra eu ficar viva??

− Calma mocinha, você deve vir até mim que eu explico tudo.

− Porque eu iria?

− Bom, acho que você deve estar curiosa agora que está saindo da matrix como dizem os jovens, eu diria que você saiu do espelho para o mundo real

− Não estou convencida.

− O Licântropo deve estar a seguindo, não vai deixar alguém vivo para contar a história, e eu gostaria de saber o que você tem de especial que ele não a matou ainda.

− “Licantroipo” é um lobisomem grande?

− Licântropo é o que você chama de lobisomem, são mais inteligentes do que parecem e não ter matado você é muito estranho, noite sem lua não é?

− Sim.

− Ele escolheu se transformar para caçar Jacob, venha para cá menina.

− Bom, estou meio curiosa mesmo.

William passou seu endereço para Dorothy, desligou o telefone e caminhou pelo seu escritório, quando toca a campainha provocando-lhe uma reação rápida, saltou sobre a mesa de carvalho procurando sua Colt Peacemaker carregada com as balas feitas de um crucifixo de prata bento pelo papa Pio XII, mas a idade já não lhe permitia tamanho arroubo de agilidade deixando-o cair sobre a dita mesa espalhando os artefatos que há anos colheu em suas andanças pelos mundos, ao segundo toque da campainha, ainda aparando os objetos que rolavam sobre a escrivaninha, lembrou que poderia ser a pizza que encomendara para a janta − não teria tempo nem se sentia seguro o bastante para voltar para casa hoje, o que já acontecia a algum tempo, baseado em instintos apurados com o passar dos anos, longos anos de caçada e alguns de tutoria, Jacob era um de seus preferidos, entretanto, distraído − encaminhou-se à porta e, com a arma as costas abriu e recebeu sua pizza alho e óleo, pagou o rapaz e fechou a porta com cuidado para não interromper o pequeno monte de sal que contornava todo o pentagrama gravado no chão de seu escritório, “ele deve chegar amanhã”, pensou, colocando o primeiro pedaço na boca.