Mostrando postagens com marcador Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Nadja parte 4

O amanhecer demorou a chegar, as palavras eram poucas, a amizade de anos era o que lhes bastava agora. “Café?” “Sim, por favor.” “Açúcar?” “Claro que não.” “Tu sabe como vampiro faz chá?” E Lucas caiu na gargalhada, Paulo tentava aquela piada há anos sem sucesso e agora lhe arrancara risadas convulsivas. O contraste entre a caneca com seis colheres de açúcar e o puro de Lucas refletia também nos seus semblantes, Paulo, sempre o lacônico, agora fazia graça para aliviar a situação enquanto Lucas trazia tempestades em seus olhos, destoando do homem que brincava com a fratura em suas costelas ano passado. “Não sei o que pensar, não quero te meter em problemas.” “Os ruídos de ontem a noite, acho que não te diziam respeito.” “Como assim?” “Todos temos fantasmas.” Foi a resposta de Paulo assumindo a expressão taciturna que o caracterizava, trazendo um pouco de alívio ao amigo que já estava ficando consternado com as atitudes de Paulo. “De qualquer forma, preciso ir. Obrigado pela noite tranqüila.” Falou Lucas com um sorriso.

Seus sentidos estavam à flor da pele, sentia o perfume de tudo a sua volta, o pão da esquina, gasolina, flores que invariavelmente tornavam seus pensamentos a ela, o aperto no estomago e o turbilhão de vozes desconexas rodava em sua cabeça, seguiam consigo. “Preciso falar com ela, hoje.” Pensava, enquanto deixava de lado o prato de comida que insistia em tentar, passou no supermercado para comprar vinho, imaginou ser estranhamente adequado à situação.

A noite o encontrou em casa devaneando entre o sono e a vigília, sobressaltado, percebe dois copos de vinho servidos à mesa. E no sofá a sua frente, ela.

“Estava me procurando?” Disse, levando um dos copos à boca.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Nadja reloaded (parte 3)

O telefonema o deixou apreensivo, algum tempo que não falava com o amigo, entretanto poderiam ter se passado anos e ainda assim perceberia a aflição e ansiedade naquela voz.

"O que poderia ter lhe deixado assim? Uma mulher? De novo?" pensava Paulo. Paulo - o amigo de todas as horas - ouviu atentamente o que lhe era contato sem duvidar de nada, mas procurando não demonstrar a preocupação que lhe afligia. Entretanto, essa era difícil de esconder. Já ouvira o amigo falar assim antes, em outros tempos, entre o medo e a curiosidade e isso não lhe agradava. Preferia-o realmente assustado, essa curiosidade realmente o preocupava.

Saíram para um café, falar dos velhos tempos de faculdade e tudo mais. “Bons tempos”, pensava Paulo, “sem vampiros”. A noite se aproximava e ele pretendia manter o amigo consigo, pelo menos por algumas horas. Convidou-o para dormir em sua casa e Lucas aceitou prontamente para aumentar a estranheza do amigo.

“É grave”, pensou.

Noite, caminham de volta para a casa de Paulo, “nada estranho até agora” pensava. Seu apartamento de um quarto, no meio do prédio, não tinha janelas para a rua nem sacadas, a janela do quarto era voltada às paredes internas do prédio, mas ele não tinha certeza que a vampira não teria como entrar, não estava tão seguro, pois suas certezas rapidamente o abandonavam, em primeiro lugar, não acreditava em vampiros e, em segundo lugar, se acreditasse, eles não poderiam entrar em sua casa sem serem convidados. Pensou em perguntar ao amigo se o alho continuava funcionando sem saber se era uma brincadeira de mau gosto ou uma preocupação real. Paulo procurava disfarçar a apreensão, entretanto, essa fora percebida pelo amigo. “Eu sei o que vi” disse ele. “Sei que mais cedo ou mais tarde ela vai voltar, e não sei se estou com medo ou esperando por isso”.

À noite, após algumas cervejas, Lucas montou seu colchão no quarto de Paulo e caiu no sono, sentiu-se seguro pela primeira vez em dias. Entretanto, acordou receoso durante a noite, ouvira um ruído estranho vindo das paredes, tentou negar e desconsiderar o ruído culpando as cervejas por ele. Esboçou um sorriso para si quando aquilo que menos esperava aconteceu. “Que barulho é esse cara?” sussurrou Paulo. Levantaram imediatamente buscando a origem do som colando os ouvidos as paredes. Ao som cada vez mais próximo de paredes arranhadas se somou o ruído de uma respiração, parecia imediatamente ao lado de fora do prédio, Paulo arriscou olhar pela janela sem poder ver nada, estava abrindo o vidro quando Lucas segurou sua mão sem dizer nada, olhou-o nos olhos e este julgou melhor deixar a janela assim, por longos minutos ouviram os ruídos que começaram a se afastar. “Vampiros respiram?” perguntou Lucas.